Quando estar acompanhado não é o mesmo que se sentir pertencente

Quando estar acompanhado não é o mesmo que se sentir pertencente

Flavia Andrade

Existe uma diferença entre estar sozinho e se sentir sozinho. Às vezes, podemos estar cercados de pessoas e ainda sentir que ninguém realmente nos conhece. Porque pertencimento não tem a ver com quantidade, mas com vínculo: com poder falar sem calcular cada palavra, não precisar esconder partes de quem somos e, principalmente, sentir que somos vistos de verdade. Não apenas pela presença que ocupamos, mas por quem somos.

Algumas relações apenas nos fazem companhia. Outras nos fazem sentir em casa. São aquelas em que podemos existir sem precisar performar para pertencer, sem precisar mudar quem somos para sermos aceitos. E talvez essa seja uma das grandes diferenças entre estar acompanhado e verdadeiramente conectado: sentir segurança para baixar a guarda, compartilhar o que pensamos e sentimos e perceber que existe espaço para nós naquela relação.

Talvez, então, nem sempre precisemos de mais pessoas, mas de relações mais verdadeiras e também de uma relação mais acolhedora com nós mesmos. Em um mundo tão conectado, quantidade de contatos, grupos ou conversas não garante pertencimento. Por isso, vale perguntar: você tem se sentido acompanhado ou verdadeiramente pertencente? Porque, no fim, pertencer talvez seja justamente poder estar inteiro em algum lugar, sem precisar diminuir quem somos para caber.