Por Flavia Andrade
Há um cansaço que não nasce necessariamente do excesso de tarefas, mas daquilo que vamos sustentando enquanto seguimos funcionando. São responsabilidades, expectativas, preocupações, relações e necessidades que se acumulam silenciosamente. Por fora, a rotina continua; por dentro, alguma parte de nós começa a pedir espaço, pausa e atenção.
Talvez por isso nem sempre seja possível explicar o que está acontecendo. Não se trata apenas de estar cansada, mas de passar tempo demais ocupando o lugar de quem resolve, acolhe, compreende e permanece disponível. Quando cuidar dos outros se torna automático e cuidar de si é constantemente adiado, o próprio limite pode ser percebido apenas quando já estamos próximos dele.
Nesse momento, talvez a pergunta mais importante não seja “como faço para dar conta?”, mas “o que está me custando tanto continuar dando conta?” Essa mudança de perspectiva pode abrir espaço para reconhecer necessidades que foram ignoradas, estabelecer limites que foram adiados e admitir, sem culpa, que nem sempre precisamos ser fortes, produtivos ou disponíveis.
Cuidar de si não significa abandonar aquilo que importa. Significa reconhecer que você também faz parte daquilo que precisa ser cuidado. E talvez algumas pausas não sejam interrupções do caminho, mas formas de continuar caminhando sem precisar se perder de si mesma.

