Psicologia em Construção
Ouvir com atenção a história, as emoções, as perguntas e as possibilidades de cada pessoa.
Trazendo a curiosidade e a sensibilidade de um jornalista para o processo de compreensão da experiência humana.
Construindo uma prática psicológica consciente,fundamentada na presença, no diálogo e no aprendizado contínuo.
Notas sobre o Devir
Entre o jornalismo e a psicologia: uma nova forma de olhar para as pessoas.
Mudar de carreira não significa, necessariamente, abandonar tudo o que foi construído até aqui. Às vezes, significa levar consigo experiências, habilidades e aprendizados que continuam fazendo sentido em uma nova trajetória.
A transição do jornalismo para a psicologia nasceu, para mim, justamente dessa perspectiva. Embora sejam profissões diferentes, existem entre elas algo muito importante e em comum: o interesse genuíno pelas pessoas e pelas histórias que elas carregam.
O jornalismo me ensinou a ouvir. A fazer perguntas. A observar detalhes, compreender diferentes perspectivas e buscar aquilo que existe por trás de uma informação aparentemente simples. Me ensinou também, que cada história possui um contexto e que, antes de tirar conclusões, é preciso conhecer os fatos.
Na psicologia, esse olhar ganha uma nova dimensão.
A escuta continua presente, mas passa a existir dentro de um espaço diferente: mais acolhedor, cuidadoso e voltado para a compreensão da subjetividade. As perguntas continuam sendo importantes, mas agora o objetivo não é apenas compreender uma história, e sim ajudar o outro a compreender a própria história.
As duas profissões também compartilham a responsabilidade de lidar com narrativas humanas. O jornalista busca compreender acontecimentos e dar voz a diferentes experiências. O psicólogo busca compreender sentimentos, comportamentos, relações e a maneira particular como cada pessoa interpreta e vivencia sua realidade.
Em ambas, existem a necessidade de desenvolver empatia, comunicação, capacidade de observação, pensamento crítico e, principalmente, respeito pela história do outro.
Por isso, vejo essa transição menos como uma ruptura e mais como uma continuidade.
O jornalismo faz parte da profissional que estou me tornando na psicologia. Tudo o que aprendi sobre comunicação, escuta, relacionamento com pessoas e compreensão de diferentes realidades permanece comigo. Apenas encontro, agora, novas possibilidades para utilizar essas ferramentas.
E olhar para o futuro traz uma mistura de expectativa e responsabilidade.
Existe o desejo de construir uma atuação que una essas duas experiências, aproveitando aquilo que cada profissão me ensinou. Uma atuação baseada na comunicação, na escuta e na capacidade de transformar histórias em possibilidades de reflexão e mudança.
Ainda há muito a aprender. E talvez essa seja uma das partes mais interessantes de começar uma nova trajetória: reconhecer que experiência não significa ter todas as respostas.
Significa saber fazer perguntas melhores.
A transição entre o jornalismo e a psicologia representa, portanto, um novo capítulo. Não é deixar uma história para trás, mas continuar escrevendo a própria trajetória a partir de tudo aquilo que já foi vivido.
E, para o futuro, a expectativa é justamente essa: seguir aprendendo, ampliando o olhar e encontrar novas formas de contribuir com as pessoas por meio daquilo que sempre esteve no centro das duas profissões: compreender o ser humano.