A dimly lit workspace featuring a desktop monitor displaying a website development page and a laptop showing a digital growth insights page. The setup includes a keyboard, mouse, two cups, a pen holder, and a clock displaying '02 36'. The atmosphere suggests a cozy, focused work environment.
Ouvir com atenção a história, as emoções, as perguntas e as possibilidades de cada pessoa.
A woman gazes pensively through a glass pane, with soft light casting a gentle glow on her face. Her expression suggests contemplation or introspection, and the window is slightly blurred with natural light creating subtle reflections.
Trazendo a curiosidade e a sensibilidade de um jornalista para o processo de compreensão da experiência humana.
A cozy yellow armchair is adorned with a matching cushion and has an open book and a pair of eyeglasses resting on it. A potted plant with long green fronds adds a touch of nature to the scene. Wooden shelves are partially visible on the left side.
Construindo uma prática psicológica consciente,fundamentada na presença, no diálogo e no aprendizado contínuo.

Notas sobre o Devir

Entre o jornalismo e a psicologia: uma nova forma de olhar para as pessoas.

Mudar de carreira não significa, necessariamente, abandonar tudo o que foi construído até aqui. Às vezes, significa levar consigo experiências, habilidades e aprendizados que continuam fazendo sentido em uma nova trajetória.

A transição do jornalismo para a psicologia nasceu, para mim, justamente dessa perspectiva. Embora sejam profissões diferentes, existem entre elas algo muito importante e em comum: o interesse genuíno pelas pessoas e pelas histórias que elas carregam.

O jornalismo me ensinou a ouvir. A fazer perguntas. A observar detalhes, compreender diferentes perspectivas e buscar aquilo que existe por trás de uma informação aparentemente simples. Me ensinou também, que cada história possui um contexto e que, antes de tirar conclusões, é preciso conhecer os fatos.

Na psicologia, esse olhar ganha uma nova dimensão.

A escuta continua presente, mas passa a existir dentro de um espaço diferente: mais acolhedor, cuidadoso e voltado para a compreensão da subjetividade. As perguntas continuam sendo importantes, mas agora o objetivo não é apenas compreender uma história, e sim ajudar o outro a compreender a própria história.

As duas profissões também compartilham a responsabilidade de lidar com narrativas humanas. O jornalista busca compreender acontecimentos e dar voz a diferentes experiências. O psicólogo busca compreender sentimentos, comportamentos, relações e a maneira particular como cada pessoa interpreta e vivencia sua realidade.

Em ambas, existem a necessidade de desenvolver empatia, comunicação, capacidade de observação, pensamento crítico e, principalmente, respeito pela história do outro.

Por isso, vejo essa transição menos como uma ruptura e mais como uma continuidade.

O jornalismo faz parte da profissional que estou me tornando na psicologia. Tudo o que aprendi sobre comunicação, escuta, relacionamento com pessoas e compreensão de diferentes realidades permanece comigo. Apenas encontro, agora, novas possibilidades para utilizar essas ferramentas.

E olhar para o futuro traz uma mistura de expectativa e responsabilidade.

Existe o desejo de construir uma atuação que una essas duas experiências, aproveitando aquilo que cada profissão me ensinou. Uma atuação baseada na comunicação, na escuta e na capacidade de transformar histórias em possibilidades de reflexão e mudança.

Ainda há muito a aprender. E talvez essa seja uma das partes mais interessantes de começar uma nova trajetória: reconhecer que experiência não significa ter todas as respostas.

Significa saber fazer perguntas melhores.

A transição entre o jornalismo e a psicologia representa, portanto, um novo capítulo. Não é deixar uma história para trás, mas continuar escrevendo a própria trajetória a partir de tudo aquilo que já foi vivido.

E, para o futuro, a expectativa é justamente essa: seguir aprendendo, ampliando o olhar e encontrar novas formas de contribuir com as pessoas por meio daquilo que sempre esteve no centro das duas profissões: compreender o ser humano.